Ter um cão

 

 

No que respeita a animais separamos o "gostar" (amar no sentido lato), do "compartilhar" animais. Isto porque, em regra, todos gostamos de animais, uns mais que outros, mas nem todos temos a capacidade de poder compartilhar a nossa vida com eles, por muito que queiramos. 

Assim, o nosso objetivo, ao acrescentar a esta página a matéria sobre cães, é de ajudar os "possuidores"/tutores de animais, em especial de cães, a conhecerem os seus amigos, as suas necessidades, as nossas obrigações para com eles e até as obrigações legais.

Aconselhamos  a ler o documento acessível através do link http://www.cpcanimal.pt/client/files/0000000001/1407.pdf, para perceber a questão da tutoria de cães.

De qualquer modo, iremos usar as outras terminologias - possuidor, detentor, quando tal tenha a ver com algumas disposições legais.

 

Pergunta inicial - Eu quero, tenho capacidade económica e temporal para ter um cão?

Antes de se comprar, adoptar ou aceitar um cão/cachorro, é necessário pensar que, uma vez "adquirido", este ficará em nossa casa, a nosso cargo e passamos a ter responsabilidade quer para com ele, quer perante a sociedade e perante a lei. Portanto, temos que ter disponibilidade financeira para suprir todas as necessidades do cão, onde o tempo a dedicar ao mesmo também é um fator importante.

 

 

Uma vez respondida, positivamente, a questão inicial e tomarmos a opção de a adquirir/adoptar um animal e assumirmos com responsabilidade a tutoria do mesmo, devemos levantar a nós mesmos algumas questões, como:

 

1.°- Como é que eu gostaria que fosse o meu cão?

2.°- Para que tipo de atividade gostava de o preparar?

3.° - Quanto tempo vou poder dedicar ao meu cão?

4.°- Como sou eu e que preferências tenho?

5.°- Onde e como o meu cão vai viver?

 

Ou de outra forma. Retirei as questões abaixo do Livro " O Encantador de cães", de Cesar Millan com Melissa Jo Petier, Verus Editora, 2011, SP, Brasil

Conheça a si mesmo antes de conhecer o seu cão. Antes de decidir ser o dono de um cachorro, recomendo que você seja capaz de responder sim à primeira parte de cada uma das perguntas a seguir, e não às perguntas entre parênteses:


1. Eu me comprometo a passear com o meu cão por pelo menos uma hora e meia todos os dias? (Ou somente o deixarei no quintal e concluirei que ele já fez "bastante exercício"?)


2. Estou disposto a aprender como ser um líder de matilha calmo e assertivo com o meu cão? (Ou permitirei que ele faça o que quiser, porque isso é mais fácil?)


3. Estabelecerei regras, restrições e limite
s claros na minha casa? (Ou permitirei que o cão faça o que quiser, quando quiser?)


4. Vou me comprometer a servir água e alimento a ele? (Ou vou alimentá-lo apenas quando me lembrar?)


5. Darei carinho apenas em momentos adequados e quando o meu cão estiver calmo e submisso? (Ou o abraçarei e beijarei quando ele estiver temeroso, agressivo ou sempre que eu quiser?)


6. Levarei meu cachorro ao veterinário regularmente, sempre que seja necessário lavá-lo, medicá-lo e vaciná-lo? (Ou só o levarei ao veterinário quando ele estiver doente ou ferido?)


7. Vou providenciar para que o meu cão seja socializado e treinado adequadamente, de modo a não representar um risco a outros animais e a seres humanos? (Ou vou torcer para que nada de ruim aconteça e mandar as pessoas saírem de perto?)


8. Limparei a sujeira que meu cachorro fizer sempre que eu passear com ele? (Ou vou pensar que o cocô dele não é problema meu?)


9. Estou disposto a aprender sobre psicologia canina de modo geral e sobre as necessidades específicas da raça do meu cão? (Ou vou tratá-lo como achar que devo?)


10.Comprometo-me a separar uma quantia de dinheiro caso tenha de chamar um profissional para tratar um problema de comportamento do meu cão ou precise levá-lo ao veterinário com urgência? (Ou ele só vai ter o que eu puder dar no momento?)


Você passou? Se a resposta é sim, parabéns. Está pronto para ter um cão. Se a resposta é não, talvez você queira repensar sua escolha. Existem muitos gatos sem lar por aí, que também precisam de ajuda, e suas necessidades são bem diferentes das dos cães, além de menos complicadas.

 

Uma vez respondidas estas perguntas, podemos começar a pensar em uma raça específica ou em um cachorro com algumas condições em concreto. Um cachorro/cão por ser de raça indeterminada não quer dizer que seja melhor ou pior do que um de pura raça. Por outro lado, não devemos descartar as adopções de animais abandonados, cuja gratidão para quem os acolhe, só é sentida por quem os trás para compartilhar a sua vida.

Há muitos testes que ajudam a escolher um cachorro numa ninhada, como o teste de Campbell, Volhard, etc.( com uma pesquisa simples na internet, dará a informação necessária), mas também é uma boa informação conhecer os seus pais e avós, saber as suas virtudes e defeitos (apesar de não haver testes totalmente fiáveis, mas é mais uma informação). É necessário ver o seu comportamento na ninhada e fora dela.

Fora dos casos de adopção de cães já adultos, ou já desmamados, uma vez selecionado o nosso cachorro deve-se esperar pelo desmame. Uma vez desmamado, podemos levar o cachorro para a nova família dele que passa a ser a nossa. Passa a ser mais um membro da família, mas nós nunca podemos esquecer que é um cachorro e que ele pensa como tal. Uma vez em nossa casa, o dono (Tutor) será o guia dele, e por isso tem a responsabilidade de o ajudar em todas suas necessidades.

 

Um dos períodos do desenvolvimento do cachorro é o período de sociabilização, conhecido como"Imprinting", pode variar entre a 3.ª/4.ª semana e 10.ª ou 13.ª semanas, em que o contato humano é vital, mesmo ainda antes de ser separado da mãe, para  que a partir do momento em que é separado da mãe e que o ser humano ocupa o seu lugar, não haver um grande choque na transição para o seu novo ambiente.

 

Dos dois meses até aos seis/nove meses que abrange outros períodos críticos do cachorro, nós temos que ter muito cuidado para que ele não apanhe sustos ou medo de fazer algo, que possa influenciar a personalidade dele. Em troca, nós temos de incorporar instruções (senta, não, quieto, muito bem, etc.).

 

Para que resulte ter um bom cão de trabalho ou meramente de companhia obediente, é necessário ter uma boa ligação com nosso cão/cachorro. Ele tem que ser um ser sociável, quer com outros animais e humanos e adaptado aos diversos ambientes que irá frequentar.